LCM – 40 anos de história (1985-2025)
LCM – 40 ANOS DE HISTÓRIA
Walte Quadros Seiffert
Com a missão de contribuir para o desenvolvimento do cultivo de camarões marinhos através do fomento, da geração e da transferência de conhecimento tecnológico, visando a melhoria da qualidade de vida, o Laboratório de Camarões Marinhos (LCM, UFSC) completa 40 anos neste ano de 2024. Em toda sua trajetória, vem se destacando Nacional e Internacionalmente como um laboratório de excelência neste campo de conhecimento.
O LCM foi idealizado na década 80 para reproduzir e cultivar duas espécies de camarões marinhos nativos, o camarão rosa (Farfantepenaus (Penaeus) paulensis) e o branco (Penaeus shmitti). Assim, a partir de 1985, este laboratório já estava em franco funcionamento, e por 18 anos os estudos foram voltados para o repovoamento de lagoas costeiras e para a manutenção das espécies de camarões nativos. Os avanços no campo da reprodução das duas espécies foram definitivos, no entanto, a engorda nas fazendas particulares, apresentaram muitas limitações que não puderam ser vencidas. A partir do ano de 1998, com a chegada da espécie Penaeus vannamei em Santa Catarina, inicia-se uma nova etapa na história do LCM. Durante os primeiros anos de cultivo, o Laboratório colaborou significativamente com o desenvolvimento do setor produtivo catarinense, sendo responsável pela quase totalidade de pós-larvas demandas pelas fazendas existentes. Com o surgimento de laboratórios privados de produção de pós-larvas, o LCM entra numa nova fase que permanece até os dias atuais, com ênfase a formação de recursos humanos, inovação, pesquisa e desenvolvimento de novos sistemas sustentáveis de cultivo.
Na formação de recursos humanos, o LCM vem dando apoio aos diversos cursos, englobando desde a realização de experimentos das dissertações e teses do Programa de Pós-graduação em Aquicultura e programas correlatos, bem como trabalhos de conclusão de curso (TCCs) dos cursos de graduação em Engenharia de Aquicultura, Biologia, Oceanografia, Agronomia, Ciência e Tecnologia Alimentar e Zootecnia da UFSC. Além de receber alunos e pesquisadores da própria instituição, o LCM recebe alunos e pesquisadores visitantes para estágios, capacitação e colaborações de outras universidades do Brasil e de outros países. Atualmente, são 20 alunos de graduação e pós-graduação envolvidos no Laboratório, além de cinco professores do Departamento de Aquicultura e quatro técnicos administrativos em educação.
O LCM também, em toda sua trajetória, vem dedicando esforços e aplicando recursos financeiros no intercâmbio científico e tecnológico com instituições de pesquisa dos quatro (04) continentes, com destaques aos projeto: 1) CYTED (Mexico), Brazilian Maricultura Linkage Program – Programa Brasileiro de Intercâmbio em Maricultura (BMLP – Brazilian Mariculture Linkage)”; 2) CIDA (Canadá), Universidad Autónoma de Baja California (UABC- México); 3) CIBNOR (Centro de Investigaciones Marinas Biologicas del Noroeste – México, BLueconet (Alemanha); 4) Aquavitae (União Europeia); 4) e mais recentemente com a instituição de fomento ao desenvolvimento de tecnologia e pesquisa da Austrália – CSIRO e Universidade de Viena (UNIVIE), Áustria.
Adicionalmente, o LCM tem parceria consolidada a 16 anos com o Projeto Tamar – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho socioambiental.
A inovação nas pesquisas sempre foi uma característica forte do LCM e na atualidade, com a finalidade de desenvolver uma atividade Aquícola responsável, busca pela melhoria contínua através do desenvolvimento científico e tecnológico que auxilie no uso racional dos recursos naturais e matérias-primas. O Laboratório, dedica-se ao desenvolvimento de pesquisas científicas de ponta nas áreas de: Nutrição, Cultivo de Macroalgas, Cultivo em Sistema de Bioflocos (BFT), Aquapônia e Cultivos Multitróficos Integrados (IMTA). Ainda, destacam-se os projetos desenvolvidos com empresas nacionais (BRF, Biocamp, Tectron) e internacionais (DSM, Lucta, Alltech, Bioproton, MBP solotions, AkerBioMarine e Phitobiotics), principalmente na área de nutrição e saúde animal.
O desenvolvimento de novos sistemas de produção com abordagens sustentáveis, com foco na otimização de recursos, como diminuição da emissão de Carbono, redução de uso da água, ciclagem de nutrientes, aumento da produtividade, bioeconomia, entre outros, já fazem parte da realidade do LCM. Com a adoção de novas tecnologias de cultivo, como os sistemas integrados, a qualificação profissional e a colaboração de diversos setores, o LCM está pronto para colaborar com as demandas impostas para desenvolver uma Aquicultura do Futuro.

Figura 1: Foto áerea do lcm